O custo da ostentação – Porque São Paulo é tão cara

23/03/2011 § Deixe um comentário

Quem vive na cidade de São Paulo percebe que há algo estranho. Os preços, principalmente dos serviços, estão exorbitantes. Um amigo visitou a Paris há pouco tempo e me relatou que comeu muito bem, com mais qualidade que a maior parte dos badalados restaurantes paulistanos, e mais barato. Outro amigo que visitou a Espanha fez relatos semelhantes. A justificativa de aumento da renda não me convence, acho que o fator ostentação é bastante significativo. Eu deixei de ir em bares badalados e em restaurantes que aumentaram os preços. Tenho procurado opções fora dos locais conhecidos, em lugares mais periféricos da cidade, e tenho encontrado boas surpresas a um custo mais razoável e justo.

Matéria retirada do estadão – neste link / Uma série de fatores faz a capital ser cara demais, da economia aquecida ao aumento da renda e a busca por status de luxo / Rodrigo Brancatelli – O Estado de S.Paulo

Até o jornal americano The New York Times reparou, em reportagem publicada na semana passada, o que faz São Paulo ser São Paulo – os prédios, os congestionamentos, a chuva, a vida noturna e, mais recentemente, os “preços exorbitantes”. Seja para um turista estrangeiro ou para um morador de qualquer bairro da capital paulista, a cidade está cara demais. É o preço do café, do táxi, da tarifa do ônibus, dos eletrônicos, do jantar, do apartamento… Um problema com muitas razões e poucas soluções.

São Paulo é atualmente a cidade mais cara das Américas, de acordo com a Pesquisa Global Mercer do Custo de Vida. Frequentar uma academia de ginástica na capital paulista sai pelo dobro do preço cobrado em Londres, enquanto jantar em um restaurante estrelado por aqui é mais salgado que um similar em Paris. Tradicionalmente, a carga tributária é sempre uma das principais vilãs – o peso dos impostos sobre cada contribuinte subiu de R$ 1.732,89, em 2002, para R$ 2.268,75 no ano passado. Além disso, há uma série de outros fatores, do aquecimento da economia ao aumento da renda da população e a entrada de uma nova massa de consumidores no mercado.

Ainda há em São Paulo um custo particular, o “custo paulistano”: cobra-se mais para conferir um aspecto de luxo ao produto ou ao lugar. “É um custo de status. Você pode colocar um preço alto, cobrar R$ 500 por um ingresso de show, R$ 25 pelo cinema, R$ 200 por um jantar, e vai ter gente para pagar essa conta, porque o mercado está aquecido e porque o paulistano paga aquilo quase como símbolo de ostentação”, diz o economista Gustavo Fabron, que trabalha com tendências de mercado para empresas estrangeiras que abrem filiais em São Paulo. “Essas indulgências custam até 250% a mais do que em outras capitais brasileiras e fazem os preços aqui ficarem absurdos.”

os super-atletas da usp

20/03/2011 § 2 Comentários

Uma estorinha. Estou passeando de bike numa manhã de sábado na usp. Tomo um susto com uma SUV* em alta velocidade. Continuo passeando e tomo outro susto com uma super-bike, e um super-atleta de fim de semana, brigando e xingando os motoristas dos carros. Ao fim do passeio mais um susto. O super-atleta, que antes estava na super-bike, é o monstrorista daquela SUV, e sai de novo a toda velocidade pela cidade universitária.

Quando a pessoa só enxerga o umbigo, o meio é indiferente. Se não acreditam, dêem uma chegada num sábado, lá na usp. Garanto que em menos de uma hora verão cenas parecidas. Ah, mas só em tempo seco, sem chuva, pois estas super-bikes, ou seus super-atletas derretem ao menor sinal de umidade.

* SUV, originalmente designadas como sport utilitie vehicles e comumente conhecidas como stupid user vehicles, são aquelas camionetas enormes de 2 toneladas que são muito utilizadas para a classe média ir comprar pão na padaria (ou levar as super-bikes na usp).

Entrevista com Sandra Jovchelovitch

15/03/2011 § Deixe um comentário

Reproduzo aqui a entrevista com a psicóloga social Sandra Jovchelovitch que foi publicada originalmente na FSP de 07/dez/09 – link . Considerei as colocações da psicóloga sobre a imagem que a sociedade brasileira faz do espaço público tão esclarecedoras para a compreensão das relações do povo com a corrupção e com cidadania que confesso, foram um divisor de águas para mim. Boa leitura!

SANDRA JOVCHELOVITCH

Há simetria entre o comportamento da população e o dos políticos no Brasil

Psicóloga social afirma que ideia de “sangue corrupto” está arraigada no imaginário social do povo brasileiro

A corrupção na política é simétrica ao comportamento do brasileiro no seu cotidiano. O remédio não se restringe às reformas institucionais, há anos prometidas, e inclui uma mudança radical no imaginário social sobre a corrupção e o espaço público. É isso o que aponta a psicóloga social Sandra Jovchelovitch, 49, professora da LSE (London School of Economics), no Reino Unido, desde 1995, e autora de um estudo sobre as representações sociais e a esfera pública no Brasil.

FERNANDA MENA
DA REPORTAGEM LOCAL

Após o conturbado período que culminou no impeachment de Fernando Collor de Mello, Jovchelovitch entrevistou parlamentares sobre o problema da corrupção no país. A maioria buscou causas fora de seu gabinete: culpou o povo, apontou para o “outro”. Anos depois, muitos deles eram os protagonistas de novos escândalos de corrupção no país. O resultado de sua pesquisa, publicado em “Representações Sociais e a Esfera Pública” (ed. Vozes), ela costuma dizer que parece nunca envelhecer. “Cada escândalo é a erupção de algo que está latente. Só irrompe porque é prática constante”, avalia. “Invariavelmente, a cada dois ou três anos surge um novo caso de grande repercussão.” E a história se repete. Leia, a seguir, trechos da entrevista concedida, por telefone, à Folha.

FOLHA – Como explicar a recorrência de episódios de corrupção no Brasil, como o recente escândalo envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda?
SANDRA JOVCHELOVITCH –
A corrupção no Brasil é um problema sistêmico. Ela se alicerça em avatares muito profundos da nossa cultura, o que explica a recorrência dos escândalos e a nossa incapacidade histórica em lidar institucionalmente com eles. Isso está vinculado a uma autointerpretação do brasileiro de que nós somos um povo corrupto, de que a corrupção está na constituição do nosso corpo político e social.
O marechal Floriano Peixoto expressou essa ideia muito bem quando convocou o Exército a invadir Canudos. Ele disse: “Como um liberal que sou, eu não posso desejar para o meu país o governo da espada. Mas esse é um governo que sabe como purificar o sangue do corpo social, que, como o nosso próprio, é corrupto!”. Essa ideia do sangue corrupto, da natureza corrupta -que a antropologia chama de “mal de origem” e que a psicologia social investiga como representação no cotidiano- está arraigada no imaginário brasileiro.

FOLHA – Então casos como a fraude no concurso do Instituto de Criminalística ou o esquema de corrupção de que é acusada a construtora Camargo Corrêa são todos produtos de um só “mal de origem”?
JOVCHELOVITCH –
É o mesmo sentido de apropriação de um espaço ou de uma coisa comum para avançar interesses particulares. A gente encontra esse comportamento em praticamente todos os setores da vida nacional. Sei que isso não é muito politicamente correto de dizer, mas existe uma simetria no comportamento que nós encontramos no cotidiano da população com o comportamento que encontramos na política.
Essa simetria se fundamenta na interpretação do espaço público como um espaço de ninguém, ou simplesmente do “outro” [conceito desenvolvido pelo crítico literário Edward Said no livro “Orientalismo”]. A própria política, como arena pública, se torna um espaço para o exercício do interesse privado. E, como a esfera pública é desvalorizada, o ato de corromper se torna muito mais fácil.

FOLHA – Arruda já havia se envolvido, em 2001, em outro escândalo: o da violação do painel eletrônico do Senado. Como explicar o retorno de figuras políticas à vida pública mesmo após escândalos?
JOVCHELOVITCH –
Explica-se por uma mistura de impunidade e identificação, uma certa conivência com a corrupção. A punição no Brasil é limítrofe porque ela permite o retorno, como ocorreu com o Collor.

FOLHA – Por que os acusados do esquema de corrupção do DF dão justificativas como “o dinheiro era para comprar panetones para os pobres”? A fala pública faliu?
JOVCHELOVITCH –
Existe um divórcio entre a palavra e a ação. O discurso se autonomiza em relação aos atos. A cultura latina favorece essa autonomização. A palavra e o discurso pesam mais do que o ato. A palavra aceita tudo. A ação não. E é no ato que a pessoa se revela.

FOLHA – Como purificar esse “sangue corrupto”?
JOVCHELOVITCH –
Existe um consenso de que a corrupção, assim como qualquer ato criminoso, é sempre uma possibilidade. Não é possível erradicar a corrupção porque ela é um erro humano. O que podemos fazer é construir procedimentos na esfera pública desenhados para lidar com situações de risco. Só que essa tarefa se torna mais difícil nas esferas públicas marcadas por uma cultura em que o privado tem preponderância.
Para resolver o problema no país, vamos ter que mexer no imaginário da sociedade sobre o espaço público, mudar a nossa relação com esse espaço.

FOLHA – Qual a origem da inversão na ideia de espaço público no Brasil?
JOVCHELOVITCH –
Ela deriva de fatores psicossociais e de fatores políticos que funcionam como um círculo vicioso: um reforça o outro. No campo político, nossa tradição sempre separou de forma muito aguda o espaço das decisões e o da participação do cidadão.
O Estado brasileiro é historicamente autoritário, tanto pelo lado do populismo, quanto pelo do autoritarismo militar. São dificuldades institucionais misturadas aos tais fatores psicossociais: um passado colonial que viu na confluência de diferentes culturas uma ponte potencial para a corrupção.
No Brasil, sempre houve um fascínio e uma repulsa simultâneos em relação a essa mistura de raças. Isso porque a nossa elite sempre teve um ideal de embranquecimento, que projetou sobre o povo brasileiro a ideia de mistura como sujeira e corrupção. O espaço público no Brasil, por consequência, é um espaço misturado, corrupto e sujo -um espaço do “outro”.
Essa separação radical entre a elite e o “outro” miscigenado transforma o espaço do “outro” em espaço de ninguém, lugar que não merece investimento.

FOLHA – Como comparar escândalos do Brasil ao recente caso de uso indevido de verbas públicas pelos parlamentares britânicos?
JOVCHELOVITCH –
A corrupção e o uso do espaço público pelo interesse privado não são um privilégio brasileiro. O episódio britânico foi um escândalo de corrupção, de uso indevido de dinheiro público, como os do Brasil. Mas no Reino Unido, em menos de dois meses, havia caído o porta-voz da “House of Commons” [espécie de Câmara dos Deputados] e todo o Parlamento havia sido reformado.
A grande diferença está no tipo de imaginação que é vinculada ao espaço público e na capacidade institucional do Estado. No caso britânico, a opinião pública exige respostas, e o Estado pune os corruptos: tem gente que vai pra cadeia, outros sofrem ostracismo político e os que restaram mudam as leis para evitar novos episódios. Além disso, os demais Poderes se mostram de fato independentes e agem com rapidez.

FOLHA – Episódios recorrentes de corrupção têm gerado pouca reação na sociedade brasileira. Por quê?
JOVCHELOVITCH –
No Brasil, em geral, há uma reafirmação de um fatalismo: “a política é assim”, “esses caras não têm jeito”, “quem pode faz mesmo”.
Seria um pouco pesado dizer, mas existe uma disseminação de um certo comportamento corrupto na sociedade brasileira. É o sujeito que suborna o policial para não levar uma multa, que compra a carteira de motorista, que pede favor pessoal ao vereador, que sonega impostos. Existe uma simetria entre a rua e a política. A relação com a coisa pública não é só dos políticos, ela é nossa. Está tanto nos microespaços do cotidiano como nos macroespaços institucionais brasileiros.

FOLHA – Onde entra a questão da confiança nessa simetria?
JOVCHELOVITCH –
É muito mais fácil no Brasil você confiar num vizinho do que em qualquer instituição ou membro do poder público. Quando a confiança se estabelece entre o cidadão e o político, ela se dá por meio de relações clientelistas, não institucionais. Isso porque as relações pessoais funcionam.
O político só se torna alguém de confiança quando ele me faz um favor pessoal, quando ele funciona como alguém da minha esfera pessoal. Quem me representa politicamente nas instâncias de poder, neste eu não confio.

FOLHA – Em suas entrevistas com parlamentares, quais eram seus discursos sobre corrupção?
JOVCHELOVITCH –
Na época do impeachment do Collor, eu me plantei no Congresso e falei com muitos parlamentares sobre suas explicações para a corrupção. Diziam que o problema era o povo brasileiro. Criaram metáforas como “todo povo tem o governo que merece”.
Eles atribuíam o problema a um “outro” generalizado, distanciando-se pessoalmente do problema. Quando eu os questionei sobre os seus papeis individuais nesse cenário, eles se colocaram como vítimas da corrupção, e não parte do processo. Ironicamente, muitos dos entrevistados, anos depois, foram acusados de corrupção.

FOLHA – Como esses escândalos afetam a imagem do Brasil?
JOVCHELOVITCH –
Afetam muito. O Brasil está com uma imagem muito positiva no exterior, impulsionada, principalmente, pelo crescimento econômico.
Mas cada escândalo representa um retrocesso. Isso impede a consolidação da imagem de um Brasil adulto. Porque fica a imagem do Brasil que precisa consolidar sua democracia, lidar com a desigualdade social e enfrentar a violência. [Já] Com a Copa e a Olimpíada, a questão da criminalidade preocupa muito mais do que a corrupção.

FOLHA – É possível relacionar corrupção com a criminalidade da rua?
JOVCHELOVITCH –
A corrupção é um crime. E o problema do crime, do desvio, na vida pública brasileira sempre foi muito relacionado com essa nossa dificuldade em consolidar uma vida pública democrática, que respondesse aos anseios e às necessidades da população.
A criminalidade é uma patologia social que tem origem, de certa forma, nas desigualdades da nossa sociedade. A psicologia clássica descreve a relação do criminoso com o espaço público exatamente como eu estava descrevendo a relação do político que rouba com a esfera pública: ausência de investimento no coletivo, no social. A dinâmica do psicopata é de não sentir culpa, não se sentir responsável. E essa dinâmica é muito semelhante à da corrupção na esfera política.

FOLHA – A corrupção sistêmica coloca em risco a democracia no país?
JOVCHELOVITCH –
O risco histórico da democracia brasileira, o da ação militar, me parece distante. Mas esses eventos comprometem a consolidação da democracia. Numa democracia consolidada, o cidadão enxerga o espaço público como de ninguém, porque de todos. Numa democracia não consolidada, o espaço público é de ninguém sem ser de todos; portanto ele pode ser meu no que diz respeito aos meus interesses particulares. E isso é corrupção.

A violência sem discussão

05/03/2011 § Deixe um comentário

Neste link um ciclista relata que foi atropelado e xingado, e ainda foi hostilizado pelos comentaristas da reportagem. A sociedade brasileira passa por inversão de valores perigosa e é preciso ficar muito atento a escalada da violência, que nem mais se apresenta, mas invade ruas, casas e agora blogs e sites.

Seja no trânsito, onde não é possível alertar ou conversar com um motorista que tenha colocado algum cidadão em risco, ou em um blog, onde um tema que poderia virar discussão torna-se uma briga; tudo termina em insultos. E há outros milhares de exemplos. Não há discussão neste país, e esta pode ser uma das maiores mazelas para um país que quer ser democrático.

Abaixo um extrato dos comentários preconceituosos, raivosos e violentos que a matéria e o ciclista receberam. Não há discussão, mas insultos contra uma pessoa que os comentaristas nem conhecem. Semelhanças com comentários de violência contra homosexuais ou machistas não são mera coincidência.

O debate técnico nas discussões nacionas

03/03/2011 § Deixe um comentário

Tenho percebido nas discussões que participo, seja em blogs e fóruns, como em bares e com amigos, uma certa dificuldade em desenvolver uma argumentação técnica. Em ambientes mais ecléticos as discussões tendem a ser levadas para o campo das ciências sociais, que nem sempre conseguem trazer as respostas para os assuntos discutidos. Em discussões recentes aqui no blog me deparei com conclusões equivocadas de alguns comentaristas com relação a assuntos puramente técnicos, como por exemplo a questão do trânsito, e tentei contribuir trazendo uma abordagem didática e técnica para a discussão. Como eu previa o debate técnico do assunto não teve continuidade, porém para a minha surpresa eu fui questionado e até desqualificado com argumentos sem nenhuma lógica para aquele debate.

Há um desequilíbrio na abordagem do debate dos assuntos nacionais, com desvantagem para as ciências naturais e grande influência das ciências sociais nas grandes decisões. Uma das consequências diretas são projetos de lei ou resoluções do executivo que são equivocados por não terem trazido um debate mais amplo para a sociedade.

A tragédias ocorridas na região serrana carioca ou nas enchentes que ocorreram em São Paulo são exemplos que o debate técnico foi negligenciado. Após as tragédias são recordadas matérias, relatórios, opiniões e críticas que haviam sido feitas por profissionais qualificados, e que inclusive alertavam para os riscos. A discussão, porém, passa rapidamente para a a esfera política, tentando achar culpados, e esquecendo com o tempo as causas dos problemas.

Vivemos contradições entre a visão da iniciativa privada e da iniciativa pública. Temos empresas que fabricam aviões, softwares sofisticados, nanotecnologia, etc, e convivemos com desculpas de políticos que negligenciam alertas e culpam fenômenos naturais pelas tragédias. Aceitamos argumentos que a ponte caiu ou o metro afundou porque é uma obra complexa. Temos igualmente uma sociedade que vive com a tecnologia, mas despreza a ciência e seus cientista. Temos as piores notas em exames de matemática, cidadãos que não sabem fazer uma conta de juros, ou não entendem leis básicas da física, como por exemplo velocidade média. Quantos museus tecnológicos nós temos?

A incorporação da discussão técnica no debate dos grandes problema nacionais traz uma nova forma de discutir o problema, entendendo as causas e efeitos, restrições e consequências das decisões. Um aprofundamento do pensamento faz com que políticos pensem duas vezes antes de fazerem seus discursos.

Não defendo a tecnocracia, e não acho que a solução esteja em somente uma disciplina. Uma sociedade que pretende ser uma potência tem que abordar os problemas e as grandes discussões de uma forma sistêmica, com equilíbrio entre as correntes de pensamento. Ignorar qualquer um deles é abreviar uma discussão e atrasar desenvolvimento de uma nação.

Publicado também no blog Brasilianas do autor : http://www.advivo.com.br/node/340929

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